O projeto de uma rede de hidrantes é um dos pilares fundamentais da proteção contra incêndios em instalações industriais, centros logísticos e grandes complexos comerciais. Estas redes constituem a infraestrutura que permite aos serviços de bombeiros atuar com rapidez, eficácia e segurança, sendo essenciais para conter incêndios nas suas primeiras fases e evitar danos maiores.
Na PEFIPRESA, com mais de 60 anos de experiência em engenharia de proteção contra incêndios, projetamos estes sistemas combinando um profundo conhecimento técnico, um estrito cumprimento normativo e uma visão integrada da segurança. O nosso objetivo é garantir que cada instalação disponha de uma rede fiável, robusta e alinhada com as necessidades reais de um cenário de emergência.
De seguida, apresentamos uma análise detalhada dos critérios que orientam o projeto destas redes segundo a normativa vigente em Espanha, integrando aspetos técnicos, regulamentares e boas práticas de engenharia.
Enquadramento normativo aplicável em Espanha
O projeto de redes de hidrantes deve basear-se na legislação e normas técnicas que regulam tanto a instalação como a manutenção destes sistemas. Em Espanha, o enquadramento estrutura-se em vários blocos complementares que estabelecem critérios de obrigatoriedade, simultaneidade, localizações e autonomias mínimas.
Regulamentação principal
O enquadramento regulamentar espanhol para redes de hidrantes fundamenta-se em vários regulamentos específicos. O RSCIEI (RD 164/2025) regula os hidrantes em estabelecimentos industriais, estabelecendo critérios de obrigatoriedade, simultaneidade, localizações e autonomias mínimas. Este regulamento distingue entre hidrantes para enchimento de camiões e hidrantes de impulsão direta, unificando os limites de instalação por superfície do setor.
Por sua vez, o CTE DB SI aplica-se a edificações não industriais nas quais se requerem hidrantes exteriores, enquanto os Regulamentos APQ (como o APQ-1) estabelecem critérios reforçados de abastecimento e autonomia em armazenamentos de produtos químicos. Em instalações energéticas, os Regulamentos IP (refinarias e hidrocarbonetos) definem requisitos específicos adicionais.
Normas técnicas de aplicação
A UNE 23500 constitui a base do projeto dos sistemas de abastecimento de água contra incêndios em Espanha. Esta norma técnica permite múltiplas configurações de abastecimento e estabelece o nível de fiabilidade requerido através de categorias específicas.
A UNE EN 12845, norma europeia adotada em Espanha, é aplicável quando o abastecimento é comum com sistemas de sprinklers. Adicionalmente, as normas UNE 23580-3 e 23580-4 regulam as atas de manutenção de abastecimentos de água e redes de hidrantes, assegurando a rastreabilidade das operações de conservação.
Este enquadramento legal e normativo, plenamente reconhecido por seguradoras e organismos de controlo, constitui a base sólida sobre a qual a PEFIPRESA desenvolve as suas soluções técnicas, garantindo o máximo nível de segurança e cumprimento.

Determinação da procura de hidrantes
Um dos aspetos mais críticos no projeto hidráulico é definir quantos hidrantes devem poder funcionar simultaneamente e com que caudal específico. Esta determinação condiciona toda a infraestrutura do sistema, desde o dimensionamento de tubagens até à capacidade de bombagem e ao volume de reserva de água.
Critérios obrigatórios estabelecidos pela regulamentação
A regulamentação espanhola (RSCIEI, RIPCI, APQ, IP) estabelece parâmetros mínimos que devem ser cumpridos obrigatoriamente. Entre estes critérios incluem-se o caudal por boca de hidrante segundo o RIPCI, o número mínimo de hidrantes segundo tipo de estabelecimento, as necessidades de simultaneidade quando a rede abastece também outros sistemas de proteção ativa, e as autonomias mínimas de funcionamento.
Boas práticas de engenharia
Mais além dos requisitos mínimos regulamentares, na PEFIPRESA aplicamos critérios adicionais de boas práticas que incluem a avaliação detalhada da carga de fogo prevista, o tempo de resposta estimado dos serviços de bombeiros, a existência de outros sistemas de extinção automática e os riscos particulares do processo industrial específico.
A combinação de critérios normativos e boas práticas permite garantir um projeto ajustado à realidade operacional do cliente, otimizando o investimento sem comprometer a segurança. Esta abordagem integral considera também fatores como a acessibilidade dos bombeiros, as condições climáticas da zona e as características específicas dos materiais armazenados.
Caudais e pressões mínimas
A normativa espanhola estabelece claramente os valores mínimos de caudal por boca, que dependem do diâmetro de saída do hidrante e do tipo de instalação. Estes valores não são arbitrários, mas sim calculados com base nas necessidades operacionais reais dos equipamentos de extinção e nas características das mangueiras utilizadas pelos bombeiros.
Os caudais e pressões devem ser verificados no ponto mais desfavorável da rede, garantindo pressão suficiente para a intervenção efetiva mesmo nas condições mais adversas.
Esta abordagem de verificação no ponto crítico assegura que toda a rede funcione corretamente em situação de emergência, mesmo em cenários de máxima procura. O ponto mais desfavorável costuma ser o hidrante mais afastado da fonte de alimentação ou o que se encontra a maior cota topográfica, mas pode variar segundo a configuração específica de cada rede.
No projeto hidráulico, é fundamental considerar não só as pressões estáticas mas também as dinâmicas, tendo em conta as perdas de carga em toda a rede e a curva característica das bombas. As pressões hidráulicas devem manter-se dentro de intervalos operativos seguros que evitem tanto a insuficiência como o excesso de pressão.
Autonomia do sistema
A reserva de água é um elemento crítico que deve permitir alimentar a procura simultânea durante o tempo fixado pela normativa aplicável. Este parâmetro varia significativamente segundo o tipo de instalação e o nível de risco associado.
O RSCIEI estabelece uma autonomia base de 60 a 90 minutos para estabelecimentos industriais, tempo considerado suficiente para a intervenção inicial dos bombeiros e o controlo do incêndio. Contudo, os Regulamentos APQ e IP podem requerer autonomias significativamente superiores, mesmo entre 3 e 5 horas, devido à natureza dos materiais armazenados e aos cenários de risco específicos.

Cálculo hidráulico e perdas de carga
A equação de Hazen-Williams é a ferramenta padrão em Espanha para avaliar as perdas de carga em redes de hidrantes. Esta equação empírica, amplamente validada e aceite pelas normas técnicas, permite calcular com precisão as perdas por fricção em tubagens de diferentes materiais e diâmetros.
Importância do coeficiente C
O coeficiente de rugosidade (C) tem um impacto decisivo no comportamento hidráulico da rede. Em tubagens novas de aço galvanizado ou ferro fundido dúctil, o coeficiente pode alcançar valores elevados (120-140), garantindo perdas de carga mínimas e um excelente rendimento hidráulico.
Contudo, em redes antigas mediram-se valores muito baixos, mesmo abaixo de 100 ou próximos de 60, o que reduz drasticamente a pressão disponível e compromete a capacidade operativa do sistema. Esta degradação pode dever-se a incrustações, corrosão interna ou sedimentação de partículas.
Na PEFIPRESA realizamos medições reais quando uma rede existente pode reutilizar-se, evitando assumir valores teóricos que não refletem a realidade. Esta prática permite-nos otimizar investimentos e garantir o rendimento real do sistema.
Velocidade da água nas tubagens
Embora não exista um limite normativo estrito para a velocidade da água em redes de hidrantes, por critérios de projeto e boas práticas de engenharia costuma recomendar-se não ultrapassar 4-5 m/s. Velocidades superiores podem gerar golpes de aríete, ruído excessivo e erosão acelerada de tubagens e acessórios.
É importante esclarecer que manter velocidades baixas não evita a sedimentação, já que as redes de proteção contra incêndios estão habitualmente em repouso. A sedimentação previne-se através de programas de manutenção que incluem purgas periódicas e, quando necessário, a instalação de pontos de drenagem estratégicos nos pontos baixos da rede.
Configuração da rede
A UNE 23500 estabelece critérios claros sobre a configuração topológica das redes. Quando existem mais de 6 saídas de água contra incêndios, a rede deve configurar-se como anel ou malha, garantindo redundância e trajetórias alternativas de alimentação. Esta configuração assegura que, em caso de avaria ou manutenção num troço, o resto da rede permaneça operacional.
As redes em terminal ou configuração radial só são adequadas para instalações pequenas e simples. Em complexos industriais ou logísticos de grande envergadura, a PEFIPRESA projeta exclusivamente redes em malha que asseguram fornecimento contínuo e permitem isolar setores para manutenção sem comprometer a proteção global.
Elementos principais de uma rede de hidrantes
Hidrantes exteriores
Os hidrantes exteriores são os únicos tipificados regulamentarmente em Espanha. A sua localização vem definida pelo RSCIEI, que estabelece distâncias máximas, requisitos de acessibilidade para veículos de bombeiros e critérios de cobertura espacial. A configuração de bocas segundo o RIPCI define o número e diâmetro das saídas, tipicamente com configurações de 2 bocas de 70mm ou 45mm segundo o tipo de hidrante.
Ligações de alimentação desde os bombeiros
Em Espanha empregam-se habitualmente ligações siamesas ou alimentações a coluna seca que permitem aos bombeiros injetar água adicional ao sistema a partir dos seus próprios veículos. Estas ligações devem localizar-se em lugares acessíveis e devidamente sinalizados, facilitando uma resposta rápida em emergências.
É importante assinalar que o termo BAB (Boca de Alimentação para Bombeiros) não é habitual no âmbito normativo espanhol, embora o conceito seja equivalente às ligações siamesas reguladas no país.
Hidrantes interiores
Podem usar-se como reforço em espaços interiores muito grandes, especialmente em armazéns logísticos ou industriais de grande altura. Contudo, há que ter em conta que os hidrantes interiores não estão especificamente definidos na normativa espanhola como categoria diferenciada, pelo que a sua instalação deve justificar-se adequadamente no projeto e coordenar-se com outros sistemas ativos como bocas de incêndio armadas ou sprinklers.
Proteção contra corrosão
A tubagem de uma rede de hidrantes pode proteger-se contra a corrosão através de diferentes técnicas. Os revestimentos epóxi interior e exterior oferecem excelente proteção química. O ferro fundido dúctil revestido combina resistência mecânica com durabilidade. A galvanização por imersão a quente proporciona proteção catódica efetiva especialmente em tubagens de aço.
A seleção do método de proteção deve considerar as condições ambientais específicas (humidade, salinidade, pH do terreno) e a agressividade química da água de alimentação, aspetos que na PEFIPRESA avaliamos através de análises específicas para cada projeto.
Grupos de pressão e critérios de abastecimento
Abastecimento segundo a UNE 23500
Esta norma fundamental permite múltiplas configurações de abastecimento de água, que incluem depósitos a pressão, depósitos elevados por gravidade, ligação a redes públicas e grupos de bombagem aspirando de depósitos de gravidade ou fontes inesgotáveis. O projeto específico depende do nível de fiabilidade requerido, expresso como categoria do abastecimento.
As categorias superiores requerem redundância de equipamentos, alimentações elétricas duplicadas e sistemas de comutação automática que garantam a disponibilidade contínua do sistema mesmo face a falhas múltiplas. Em instalações críticas, a PEFIPRESA implementa configurações com bombas principais redundantes e sistemas auxiliares que maximizam a fiabilidade operacional.
Caudal e características das bombas
As normas europeias estabelecem que as bombas contra incêndios devem garantir um caudal superior ao nominal no ponto de comprovação exigido, assegurando reserva de rendimento. Esta reserva compensa o envelhecimento natural do equipamento e possíveis variações nas condições de operação.
Sala de bombas
A sala de bombas deve ser um local independente de outros serviços e dispor de condições térmicas adequadas, mantendo temperaturas entre 5 e 40°C para garantir o correto funcionamento dos equipamentos e a fiabilidade de arranque em qualquer estação. A ventilação deve ser suficiente para dissipar o calor gerado pelos motores e evitar acumulação de humidade.
A resistência ao fogo da sala deve cumprir os requisitos que estabeleça a sua localização segundo o CTE ou o RSCIEI. O acesso deve permitir a manutenção dos equipamentos, com espaço suficiente para extração de bombas e motores. Na PEFIPRESA projetamos salas de bombas considerando não só os requisitos normativos mas também as necessidades operacionais de manutenção a longo prazo.
Condições de aspiração e impulsão
Tanto a norma UNE 23500 como a UNE EN 12845 estabelecem condições muito específicas para as tubagens de aspiração e impulsão. A aspiração deve ser projetada minimizando perdas de carga, evitando bolsas de ar e garantindo altura líquida positiva de aspiração (NPSH) suficiente para prevenir cavitação.
A impulsão deve incluir válvulas de retenção para evitar retorno, válvulas de seccionamento para manutenção e manómetros para verificação de pressões. As mudanças de direção devem realizar-se com curvas de raio longo e as reduções através de peças excêntricas que evitem acumulação de ar.
A PEFIPRESA projeta e certifica cada grupo de bombagem conforme estes critérios técnicos específicos, assegurando a máxima fiabilidade e durabilidade dos equipamentos de impulsão.
Provas e manutenção
O RIPCI estabelece as operações de manutenção obrigatórias que devem realizar-se periodicamente sobre as redes de hidrantes. Entre estas operações destacam-se as provas trimestrais de pressão e funcionamento do sistema, verificando a ausência de fugas e o correto estado de válvulas e acessórios.
As provas semestrais de bombas incluem arranque automático, verificação de pressões e caudais em diferentes pontos da curva, e comprovação de sistemas auxiliares como bombas jockey e alimentação elétrica de emergência.
O ensaio anual com abertura real de hidrantes e verificação de caudais e pressões é a prova mais completa e exigente, que valida o correto funcionamento do sistema em condições próximas às de uso real em emergência.
Na PEFIPRESA acompanhamos os nossos clientes durante toda a vida útil da instalação através de serviços de manutenção certificados que garantem o cumprimento normativo, a documentação de todas as operações segundo a UNE 23580 e a deteção precoce de qualquer anomalia que pudesse comprometer a operabilidade do sistema.
Conclusão
O projeto de redes de hidrantes requer um equilíbrio complexo entre experiência técnica acumulada, cumprimento rigoroso da normativa aplicável e compreensão profunda do risco específico de cada instalação. Na PEFIPRESA, a nossa equipa de engenheiros especializados em proteção contra incêndios garante sistemas fiáveis e perfeitamente adaptados a cada projeto, respaldados por mais de seis décadas de trajetória e pelo acesso a tecnologias avançadas de cálculo hidráulico e medição.
Uma rede de hidrantes corretamente projetada, instalada e mantida salva vidas, protege ativos críticos e assegura a continuidade das operações empresariais. Esta é a nossa especialidade e o compromisso que mantemos com cada cliente que confia na nossa experiência.
Se a sua instalação requer o projeto de uma nova rede de hidrantes ou a avaliação e atualização de uma existente, a nossa equipa técnica está à sua disposição para desenvolver uma solução técnica ótima que cumpra com todos os requisitos normativos e se adapte às necessidades específicas da sua atividade.



